Lembra da Kodak? Gigante da fotografia, 58 anos na lista das “500 maiores empresas” da Fortune, etc. “You press the button, we do the rest”. Bom… parece que ninguém mais precisa dela pra “fazer o resto” hoje em dia. A falta de um mindset orientado à inovação os matou, e o Design Thinking poderia ter ajudado.

Eu não sei exatamente quem está sentado, neste momento, na frente de seu notebook ou então com o smartphone na mão lendo este artigo. Mas tenho quase certeza que em algum momento da sua vida profissional recente, já ouviu falar no termo “Design Thinking”, mesmo que nunca tenha se interessado em saber mais a respeito. E mesmo que seu último contato com a área de marketing, design e inovação tenha sido mais ou menos na época em que Philip Kotler ainda tinha cabelo e que aparelhos de fax faziam parte da rotina, não se preocupe, este artigo é para você também.

Primeiramente, o que é Design Thinking?

O Design Thinking é um conjunto de métodos utilizados para identificar e abordar problemas, com o qual se gera um pensamento criativo – ou seja, uma forma de pensar negócios com criatividade. Usado nas empresas modernas, esta metodologia está relacionada, basicamente, a levantamento de informações, análise de conhecimento e proposta de soluções.

O Design Thinking é um conjunto de métodos utilizados para identificar e abordar problemas, com o qual se gera um pensamento criativo – ou seja, uma forma de pensar negócios com criatividade. Usado nas empresas modernas, esta metodologia está relacionada, basicamente, a levantamento de informações, análise de conhecimento e proposta de soluções.

Numa tradução mais literal, Design Thinking se refere à maneira do designer (neste caso, o profissional que está buscando soluções de qualquer natureza), no meio corporativo, pensar utilizando o pensamento abdutivo, ou seja, um tipo de raciocínio “fora da caixa”. Dessa forma, ele busca formular questionamentos através da compreensão dos fenômenos, com observação do universo do problema.

Mas, afinal, o que é esse tal de Design Thinking? Ou melhor, o que ele tem “de diferente” do processo “normal” de se solucionar problemas?

Design Thinking é uma abordagem à inovação centrada no ser humano, que se baseia nas ferramentas do designer para integrar as necessidades das pessoas, as possibilidades da tecnologia e os requerimentos para o sucesso de um negócio. – Tim Brown, IDEO.

Bom, de maneira direta, se trata de um processo colaborativo, interdisciplinar e iterativo, que valoriza a interação de stakeholders, a prototipagem, a satisfação do usuário final (e uso de empatia, preocupação com a experiência do usuário, entrevistas e testes), a prototipação de ideias e constante experimentação, e diversos outros fatores. Resumindo, se trata de um processo criativo, orientado à solução de problemas, completamente focado no ser humano. É o que alguns (incluindo a gigante da tecnologia, Google) chamam de “Human Centered Design”.

Da mesma forma que um profissional do design enxerga de forma holística o mundo ao seu redor, observando não apenas aspectos cognitivos e funcionais, mas também emocionais e estéticos que afetam as experiências humanas, empresários precisam olhar seu contexto com empatia, a fim de identificar problemas a serem solucionados, abolir a miopia funcional e criar respostas verdadeiramente inovadoras para eles. Respostas refletidas em soluções eficientes, reconhecidas pelo mercado e traduzidas em sucesso.

De acordo com alguns estudos recentes, somente 4% dos novos produtos lançados nos Estados Unidos obtiveram sucesso no mercado.

Só para constar, de acordo com alguns estudos recentes, somente 4% dos novos produtos lançados nos Estados Unidos obtiveram sucesso no mercado. Número não muito animador para empresários despreparados ou de mentalidade engessada, não é?

E o que o Design Thinking tem a ver comigo?

Você já se deparou com a situação de estar usando um certo produto ou serviço e imediatamente pensar em algo como “esse produto seria 10 vezes melhor se…”? Se já, parabéns, você pensou em uma solução para um problema. E usou sua própria experiência como usuário, para isso.

Há muito tempo (numa galáxia nem tão distante assim), o termo “design” era automaticamente relacionado a fatores estéticos, artísticos, uma área exclusivamente responsável por “fazer as coisas parecerem bonitas”. Esta era ficou para trás, e francamente, já vai tarde. Hoje em dia, empreendedores de todas as áreas conhecem e reconhecem termos como “design”, “business design” ou “design estratégico” como peças fundamentais ao quebra-cabeças coorporativo. A necessidade por inovação, por evoluir constantemente e manter seu público-alvo encantado e satisfeito, pode ser sentida por toda e qualquer empresa, independente da sua área de atuação, mercado ou produto. E deve ser sentida. Afinal, inovação constante foi o que nos tirou de dentro das cavernas, em primeiro lugar.

E o que o Design Thinking tem a ver comigo, que não sou designer? Conforme vimos, o Design Thinking não é um processo ou um subproduto do design, feito por e para designers. É um mindset, uma maneira de pensar para empreendedores de todas as áreas com o intuito de oxigenar a criatividade e o pensamento crítico, fomentar a inovação e, claro, solucionar problemas (da maneira mais eficiente possível). É um processo mental desenhado para separar o joio do trigo, para te ajudar a decidir entre o time dos dinossauros retrógrados que já não podem fazer nada a respeito das bolas de fogo gigantes caindo em sua direção, do time da inovação constante, da reinvenção, do encantamento e satisfação dos usuários e, claro, das altas margens de lucro e sucesso.

E você, de qual lado prefere estar? Da Globo e sua perda de audiência de 38% nos últimos 10 anos, ou da Netflix e seus 86,74 milhões de usuários e valor de mercado de mais de US$ 35 bi? Dos taxistas ou da Uber e seus US$ 50bi? Dos datilógrafos ou dos computadores pessoais e acessíveis? Dos carros, ou dos cavalos? Da roda, ou da incrível dor nas costas que os homens das cavernas deviam sentir antes dela?

Em meio a um mercado completamente voltado a um consumidor empoderado, tudo que importa é qual solução o favorece mais. Não se trata da sua empresa, nem do seu nome, nem do seu produto, nem dos seus “clientes fiéis”. Se trata do maior benefício ao consumidor.

Da próxima vez que estiver num táxi, a caminho da casa de um conhecido que te convidou para assistir um filme na Sessão da Tarde, pense nisso.

Esse mindset vem com alguma metodologia de fábrica?

Sim, meu caro amigo, o Design Thinking vem de fábrica com uma metodologia extremamente flexível e igualmente poderosa, para te ajudar a chegar lá.

Ela não só te permite avaliar o equilíbrio de sua proposta de solução baseado em 3 fatores fundamentais: a Desejabilidade, a Viabilidade e a Praticabilidade, como também estruturar um projeto verdadeiramente eficiente, desde o momento da realização quanto ao problema até a concepção da solução empática e satisfatória.

A tríade acima pode parecer óbvia, mas a verdade é que a maioria das empresas e gestores estão acostumados com uma mentalidade engessada, quadrada, que funciona em favor da organização e não do usuário (digna de uma cultura empresarial com traços de revolução industrial, que desconhece ou ignora o empoderamento do consumidor moderno). Isso explica, por exemplo, a vasta e opressiva uniformidade de tantos produtos no mercado, hoje.

Olhando a imagem acima, retirada do site de um dos maiores nomes em Usabilidade e Experiência do Usuário, é fácil perceber que a metodologia se trata de um conjunto de key-points flexíveis, iterativos (consegue perceber que as setas vão para ambas direções?) e palpáveis (“prototype” é parte fundamental da metodologia). Por ser flexível, o processo permite diferentes interpretações, conforme as necessidades de cada empresa, pessoa ou projeto. Aqui na Quack, por exemplo, nós resumimos aquelas 6 partes do processo em apenas 4, mais ou menos parecido com o título das 3 seções que aparecem na parte inferior da imagem. Nós as chamamos de:

  • Observação (empathize + define, no diagrama): A partir de um pain-point (problema), conduzir pesquisas para desenvolver conhecimento sobre o que seus usuários fazem, dizem, pensam e sentem. Alguns processos clássicos deste bloco incluem: pesquisas com usuários, entrevistas, jornada do usuário, use flow, avaliação empática, cliente oculto, criação de personas, etc. É um processo no qual o design thinker deve agir como pesquisador, espião e
  • Ideação (ideate): Aqui entra o famoso brainstorm, uma série de ideias criativas (e peculiarmente cruas) que tentam endereçar as necessidades dos usuários, identificadas na primeira fase. Nesta fase, você e seu time precisam de liberdade total: quantidade supera qualidade. Seu time precisa se sentir seguro para poder falar o que vier em sua mente, sem medo de ser julgado negativamente ou repreendido, por isso, cuidado com críticas desnecessárias. Façam mapa mentais, desenhem sketches, rabisquem guardanapos, colem post-its na parede do escritório, tangibilize processos físicos, utilize Legos. Compartilhe, mixe e remixe ideias, construa, amplie e desenvolva pensamentos alheios.
  • Design (prototype + test): Aqui nós concentramos 2 keypoints do diagrama: “prototype” e “test”. É nesta fase onde as ideias geradas na fase anterior serão tangibilizadas, prototipadas, testadas. Crie compreensivos, sejam mockups, layouts, interfaces, protótipos em baixa, média ou alta resolução (de acordo com a fase do processo). Compreenda como os componentes da sua ideia se comportam no mundo real, e compartilhe com as pessoas: colegas, usuários, stakeholders. Todos devem fazer parte do processo de criação. Após testar, redesenhar, redesenhar de novo e finalmente corroborar a proposta de solução, ela está pronta para ser desenvolvida, materializada.
  • Implementação (implement): Esta é a parte mais importante do Design Thinking, e também a mais negligenciada. Por mais impactante que o design thinking venha a ser para uma organização, ela apenas leva à verdadeira inovação se a visão for executada. O verdadeiro sucesso do design thinking reside na habilidade de transformar um aspecto da vida do usuário final. É aqui, portanto, que as ideias materializadas são colocadas em prática no mundo real. São testadas, polidas, reajustadas, mensuradas, e até redesenhadas. Claro, a metodologia como um todo ajuda a “errar cedo” para que você não precise arcar com os altos custos de um redesign pós implementação? Sim. Mas assim como um plano de negócios ou Canvas, o verdadeiro teste de fogo só acontecerá com o produto exposto ao mundo real, a pessoas reais, em meio a necessidades reais.

Design Thinking é só para os gigantes do mercado?

Longe disso. Tem sido cada vez mais comum observar pequenas e médias empresas utilizando essa perspectiva colaborativa, prática e interdisciplinar na resolução dos desafios de seu negócio. Como tudo que diz respeito à inovação e oxigenação, esse mindset ainda é muito mais comumente encontrado sendo aplicado em empresas no exterior, mas já é possível perceber um número crescente de empreendedores brasileiros dispostos a integra-lo ao dia-a-dia de suas empresas.

Se interessou? Quer saber mais a respeito? Com uma rápida pesquisa, você pode encontrar uma série de livros, cursos onlines e também presenciais, como esses:

  • IDEO – The Design Thinking Company (livros e cursos online-pagos);
  • Stanford Univesity – Design Thinking Action Lab (cursos online gratuito);
  • ESPM – Escola Superior de propaganda e Marketing/SP – Cursos à Inovação & Design Thinking
  • Escola Design Thinking – Imersão em Design Thinking

Ou seja...

Vivemos em uma era de experiências, sejam elas serviços ou produtos, e temos grandes expectativas quanto a essas experiências. Elas estão se tornando mais complexas, em natureza, conforme a informação e a tecnologia continuam a evoluir. Há cada evolução, uma nova camada de necessidades não atendidas. Embora o Design Thinking seja “apenas” uma abordagem à solução de problemas, ele aumenta consideravelmente a probabilidade de sucesso, inovação e disrupção criativa.

Referências

Fontes DT: Endeavor, MeuSucesso, Dtparaeducadores, NaPratica, MJV, Ideo, NNgroup.
Fontes Dados: Globo, Globo, Edyportela.
Imagem de capa: Wegov.

Albert Einstein
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Mayron Waligura

Autor Mayron Waligura

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